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POUSO ALTO - Relicário da História de Minas.
Sentinela da Legalidade.
(Autor: Luiz Alexandre Guimarães Vilela)

 

 


EVOLUÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL DO ANTIGO ARRAIAL DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS POUSOS ALTOS
A Mantiqueira e a serra do Mar, como agrestes muralhas emolduravam o extenso Vale do Rio Verde onde viviam os índios cataguás. A conquista era difícil, os bandeirantes, porém, escudados pela força de vontade e na perseverança levariam de vencida todas os obstáculos. Galgaram a cordilheira para melhor contemplar os horizontes. Atravessaram as florestas abrindo caminho, enfrentando os índios com seus clavinotes e espadas de aço. Da Bahia, Espírito Santo e Pernambuco chegavam notícias auspiciosas. As expedições nortistas avançavam, nesta jornada ciclópica em busca das Esmeraldas. Investiram pelo sertão em busca das lendárias minas de Sincorá. Antônio Dias Adorno chegara a penetrar no distrito das Esmeraldas, Spinosa, Sebastião Fernandes Tourinho, Martins de Carvalho, Dom Vasco Rodrigues Caldas, Barbalho e Arzão chegaram às margens do Rio São Francisco e as cabeceiras do Rio Doce. A glória, todavia, estava reservada aos bandeirantes do sul. Seriam os piratininguenses e os taubateanos, os "fenícios da terra firme" que levariam as bandeiras além da Mantiqueira, na arremetida sulina, rumo a decantada Serra Resplandecente... E a golpes de machado, reboando nas selvas desconhecidas, abriram caminho, transpuseram os contrafortes das montanhas, atravessaram os rios, avançaram pelos chapadões imensos, acalentando sonhos e enchendo os olhos de miragens. Por onde passavam deixavam sementes de aldeias e arraiais, esboço de cidades!
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ROTEIRO DOS BANDEIRANTES
Pouso Alto tornou-se marco glorioso epopéia sertanista. Nas idas e vindas pelos vales do Rio Verde, os bandeirantes fizeram pousadas nestes sítios. No rancho, à beira dos córregos ou nos cimos dos morros os homens descansavam para recomeçar, ao romper da madrugada seguinte, a longa e penosa jornada. Era a primeira escala nos campos sul mineiros, a marcha deste gigante de botas de sete léguas rumo ao Sabarabuçu. Taubaté , Pindamonhagaba, Guaratinguetá, Guaipacaré e as roças de Bento Gonçalves iam ficando para trás. Vencida a Mantiqueira, por cinco serras altas, começavam os bandeirantes a cortar o ribeirão Passa Vinte (porque vinte vezes por ele se passava), iniciando nova ascensão de serras agras onde era preciso descarregar as cavalduras, devido os riscos de despenhadeiros. E chegaram a Pouso Alto. Ali fixaram seus "ranchos de tropas". Prepararam as roças de abóbora, milho e feijão, lavouras feitas para garantir a alimentação, no regresso ou, dos que viriam depois, em outras expedições. Abriram-se , assim, as primeiras picadas para o sul de Minas e os bandeirantes se irradiaram pelas serranias próximas: Boa Vista, Caxambu, Baependi, terras de Juruoca até as nascentes do Rio Grande, na Bocaína do Miratão; marcharam em outras direções para os campos do Carmo de Pouso Alto, Maria da Fé e Campina do Rio Verde rumo as minas de Sabará. Topo
PRIMEIRAS EXPEDIÇÕES
Ponto de referência geográfica nos roteiros de bolso dos sertanistas ousados, Pouso Alto transformou-se num baluarte dos paulistas em território mineiro. Brás Cubas depois de trepar a Mantiqueira retorna a Santos. Martins de Carvalho faz rápida incursão pelo território mineiro. Outros bandeirantes tentaram vencer os obstáculos da natureza, mas os cataguáses verdadeiros donos da terra impediam, vigorosos, a penetração dos brancos. Os paulistas precisavam vencer, sobretudo, os índios. E as expedições se sucediam. Obcecados pelas notícias que vinha do norte, os bandeirantes não se esmoreciam no arrojado cometimento. Da Vila de São Franscisco de Taubaté partiram o Capitão Félix Jacques, Lourenço Castanho Jacques, Matias Cardoso de Almeida, Garcia Rodrigues, Borba Gato, Bartolomeu Bueno de Siqueira e Simão da Cunha Gago. Afonso Sardinha atinge Pouso Alto antes de varar os sertões do Sapucaí. Knivet e seu compatriota Barraway, desgarrados da frota de Cavendish continuam errantes pelo sertão. O naturalista Glimer - primeiro cientista que penetrou em território mineiro - inclui Pouso Alto em seu roteiro. Diogo Gonçalves Laço e Francisco Proença atinge o distrito do ouro. Fernão Dias Paes Lemes em companhia de Matias Cardoso de Almeida "famoso soldado de grande disciplina" passam por Pouso Alto, isto é por uma zona de aspecto dilatado e encantador, mais tarde denominado Capivari do Rio Verde.
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TRAFICANTES DE ÍNDIOS
Pouso Alto movimenta-se. Em 1676, Lourenço Castanho Jacques, com patente de "Governador de Tropas", ruma pela Mantiqueira de destroça os cataguáses que fogem para as bandas do Araxá, Matias Cardoso de Almeida, mais dois filhos e Manoel Borba Gato, atravessam a garganta do Embaú, transpõe os Rios Passa Quatro e Capivari e ss estabelecem provisoriamente "num sítio denominado Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos". Passada a estação chuvosa, partem e fundam Baependi. Atravessam os rios Verde e Grande indo acampar em Ibituruna." O primeiro lar na pátria mineira"...
De Taubaté sai a "bandeira escravista" de António Delgado da Veiga. Em companhia de seu filho João Veiga e do Capitão Manoel Garcia de Almeida e Cunha, com tropas e armas, passam por Capivari e vai acampar no cimo de um morro, no local denominado POUSO ALTO. Estamos em 1692. Antônio Delgado da Veiga aí demora, região alegre, clima ótimo, terra exuberante, Pouso Alto purpurejava ao sol . Ainda existiam pelas redondezas os remanescentes dos cataguáses; ainda se viam pelas ondulações das planícies tabas destroçadas, caiçaras em ruínas e ocas abandonadas. A demora se justifica, traficantes de gentios interessavam permanecer ali para prear os silvícolas derrotados e errantes. Plantaram um CRUZEIRO e partem para Baependi.
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OS FUNDADORES DA CIDADE
Em torno dos ranchos de tropas abandonados pelos bandeirantes e que serviram de pouso aos sertanistas, surgiram casas de vendas - as primeiras casas comerciais - movimentadas por desertores e aventureiros das bandeiras. Não resta dúvida que a bandeira comandada por Antônio Delgado da Veiga impulsionou o arraial. Em torno do cruzeiro plantado no murro a cavaleiro da cidade, foram edificadas casas de pau a pique e adobe. Diversos caminhos sa estendiam pelas serranias. O arraial ganha certa expressão. Em 1701, o bandeirantes João dos Reis Cabral casado com D. Leonor Domingues Cabral, natural de Guaratinguetá, de onde se abriu caminho para os denominados Pousos Altos, venceu a Mantiqueira, atingindo os tijucais do Rio Verde, aí fez roças e estabeleceu comércio com vários centros de mineração. Obteve por este motivo, sesmarias das terras por D. Fernandes Martins Mascarenhas a 10 de novembro de 1705. O bandeirantes João dos Reis Cabral é portanto, o verdadeiro fundador de Pouso Alto. Legalizando o domínio destas temas e aqui estabelecendo, tornou-se senhor feudal de vasta área que se estendia desde o Paraíba até os Pousos Altos. A respectiva carta (História Geral das Bandeiras - Volume 10 - Afonso de E. Taunay) define bem a vasta sesmaria e dá prioridade de fundador ao conhecido e valoroso bandeirante. Esse sertanista de valor e de ação tinha vida destacada na política municipal de São Paulo e veio terminar seus dias no Sul de Minas. Outro povoador de Pouso Alto foi Lourenço Lemes, bisneto de Pedro Lemes, cunhado de Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, ilustre madeirense e povoador de Baependi. Brás e João Lemes, irmão e filho de Francisco Lemes da Silva e Isabel Anhaia transferem-se de Pintangui para Pouso Alto. Com a criação da Capitania de Minas Gerais, em 1720, a denominação de Minas Gerais dos Cataguáses desapareceu. Nessa época já existiam, oficialmente sete vilas. Vamos encontrar em 1733 com residência fixa em Pouso Alto, Domingues Martins do Prado e D. Isabel Antunes de Miranda, descendente de Brás Cubas. Residiam no Caminho Novo do Capivari do Rio Verde, em um sítio que compraram, conforme consta da sesmaria (Revista do Arquivo Público de MG), passada em 25 de novembro de 1733, obtendo do Conde Galveas - André de Melo e Castro governador paulista o seguinte despacho: "Obteve meya légua de testada q. corre p. a parte de Itanhandu na sobreguarda das terras do mesmo Capivari p. a parte do poente com hua légua de certão do norte ao sul." (Anuário da Diocese da Campanha) Topo
SOB A INVOCAÇÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
O pequeno povoado crescia. No alto da colina é construída uma capelinha sob a invocação de Nossa Senhora. Pelas tardes serenas os sinos repicavam. Surgiam os primeiros sobrados com fachada de taipa e de janelas colmadas de palha. As mulheres de damasquilho, capilhas rendadas sobre os cabelos negros subiam o morro para as novenas religiosas. Pelo adro tropeiros de ferregoulo de baetas, arcabuz e forquilha, contemplavam a terra miraculosa.O Capitão Bias Esteves consegue, 13 de dezembro de 1752,provisão diocesana para erigir a Matriz. Já era curato, consoante carta régia de 2 de agosto de 1752. Em 14 de julho de 1832 foi a freguesia restaurada.
A imagem da Padroeira de Pouso Alto, conforme foi publicado em "O JORNAL" de 7 de julho de 1957, não é de Nossa Senhora da Conceição mas Nossa senhora dos Remédios. O caso se resume no seguinte: "O Capitão Estácio da Silva encomendara em Portugal uma imagem de Nossa Senhora dos Remédios, para Caxambu. Na mesma época, entretanto, o povo de Pouso Alto, encomendara também, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, tendo ambas chegado na mesma época ao Brasil, e por uma ocorrência até hoje inexplicável a imagem de Nossa Senhora da Conceição destinada a pouso Alto foi parar em Caxambu e a de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira daquela estância veio parar em Pouso Alto. Tendo isto acontecido, os católicos deste com daquele povoado não quiseram efetuar a troca das imagens e até hoje permanecem trocadas, nos templos de Caxambu e Pouso Alto. Isto se deu em 1748." Topo

GUERRA DOS EMBOABAS
No arraial do Rio das Mortes, Manuel Nunes Viana, o chefe dos Emboabas expulsara os paulistas e foi aclamado "Governador dos Distritos Diamantíferos".
Não conformados com os revezes sofridos Amador Bueno da Veiga - cabo maior dos paulistas - organizou por ordem do governador Antônio Albuquerque do Coelho Carvalho, uma expedição, com peões e cavaleiros, pendões e insígnias e rumou em tropel pela Mantiqueira bivaqueando em Pouso Alto. Reuniu seu "conselho de guerra" e resolveu enviar um "ultimato" a Manuel Nunes Viana, para que este se rendesse e restituísse os direitos dos paulistas naquela região. O caudilho português, porém não se amofinou. Pouso Alto tornou-se nesses dias de intensa expectativa, de sangrentos acontecimentos, o Quartel General das tropas de Amador Bueno da Veiga, a ponte de ligação entre o distrito do Rio das Mortes e Guaratinguetá. Em 12 de abril de 1709 do acampamento de Pouso Alto, Amador Bueno ditou novo conselho, "que não seriam castigados os emboabas que livremente se rendessem" e enviou ao todo poderoso da região do Rio das Mortes. E partiram para São João del Rei. Nas páginas da história ficou assinalado o nome de Pouso Alto, quartel general do grande paulista Amador Bueno da Veiga. Depois veio a anistia, paulistas e emboabas esquecidos da tragédia do "Capão da Traição" que fecundou com sangue o heroísmo e a bravura dos nossos antepassados, irmanaram-se em torno de um ideal à pátria engrandecida e imortal. Topo

OUTROS FATOS HISTÓRICOS
Pouso Alto, cenário da história ao alvorecer do século XVII, progredia com o trabalho da gente honesta do sertão, agigantando-se, elevando-se no conceito do povo mineiro. Aos pés do morro, onde o Rio Verde deslizava, estendiam-se as pastagens para a criação de gado, mais tarde celeiros de sua pecuária. Suas lavouras se desdobraram. Das fazendas próximas vêm carros de boi chirreiantes pelas encostas dos morros; outras taipas se erguem, novas vielas são traçadas e os recantos vão sendo batizadOs - Rua Atrás do Morro, Retiro Saudoso, Rua da Ponte, Adro da Matriz, etc. Aos domingos as feiras tumultuavam na mecânica de varas de tafetá, côvados de baeta, saias de Porto Alegre e vasquilhas de gorgurão.
Na porta de ermida, mendigos imploram vinténs... Pelas mesmas trilhas que vararam a quietude do planalto chegam os tropeiros, os bruaqueiros e os mascates com novidades do reino... Bento Pereira de Sá que "com zelo e muito cuidado" nos serviços de levantamento topográfico de Pouso Alto, pela carta patente de 5 de dezembro de 1763, é nomeado Capitão Mór Regente dos distritos do Rio das Mortes, O Governador General Luiz Diogo Lobo da Silva, em 1764, no seu giro pelo sul de Minas, para conhecer pessoalmente as terras de sua capitania, pernoita em Pouso Alto. Viera das Minas de Itagibá, subindo a Mantiqueira, autorizou a instalação de um posto de fiscalização "Registro de Capivari" pois a fronteira de dois estados que morrem na Mantiqueira, passavam por ali bandeirantes, aventureiros e servia para impedir a entrada de criminosos que também entravam por outros lados escusos. Mandou a Guarda Militar para os pontos de vigias, companhias de Dragão, com soldados de bigode.
Em 1784, a primitiva capelinha cujo orago era Nossa Senhora da Conceição foi construída de acordo com os cânones da Igreja. Chega o primeiro cura Padre Vital Gomes de Freire. Em 14 de julho de 1832 um decreto imperial eleva o curato à Freguesia.
Francisco Teodoro da Silva, depois Barão de Pouso Alto é um dos cidadãos de maior projeção no distrito nascente. Topo

A REVOLUÇÃO DE 1842
Em 10 de julho de 1842, o tenente coronel José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, sob o pretexto de "livrar o nosso adorado monarca da coação em que o tem posto a oligarquia dominante, e que atraiçoa em seu interesse o país e o thomo" foi convidado para tomar posse do cargo de presidente Interino da Província de Minas, no Paço Municipal Barbacena, aclamado pela Guarda Nacional e o povo dessa "mui nobre e leal cidade". Não vamos neste breve esforço nos aprofundar nesses acontecimentos que abalaram a Província de Minas, mas focalizar em meio de seu significado histórico, a participação de Pouso Alto nessa revolução que marcou mais uma arrancada de civismo que glorifica o povo mineiro. Em Baependi, o prestigioso fazendeiro Gabriei Francisco Junqueira (Barão de Alfenas) acolhia os elementos suspeitos perseguidos pelas forças legalistas. O presidente Bernardo da Veiga (irmão dos Veigas que fundaram São Lourenço) solicitou de Pouso Alto o envio de poderoso reforço para guarnecer aquele ponto estratégico. De nada adiantou a providência, porque o Barão de Alfenas que já havia sofrido na rebelião de 1833 , com o massacre de membros de sua família, aproveitando a calada da noite, apoderou-se da vila. Os rebeldes tiveram uma vitória efêmera. Trinta dias depois Aleixo Ferreira Tavares de Carvalho, Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Baependi, partiu com uma força para prender o "bacharel" formadO João Capistrano Macedo de Alkimim que juntamente com o Coronel Joaquim Nogueira de Sá, chefe da legião, consentiu na capitulação de Baependi.Tomaram parte no cerco dessa vila, o Sargento mor José Ribeiro da Luz, o Sargento mor Francisco Teodoro da Silva, sub delegado de Pouso Alto e mais o Capitão Custódio José Dias que conduzia uma "Boca de Fogo".Esses trás vultos pouso-altenses, bravos e corajosos, foram os esteios da legalidade, evitando que os rebeldes de Feliciano cortassem as comunicações entre Baependi e Campanha.E chegassem reforços de São Paulo pelo caminho do Picu.No dia 25 de julho de 1842 chegou o major Francisco de Lima e Silva Júnior e estacionou na freguesia de Pouso Alto, onde se encontrava acampado o coronel Julião Florencio Meyer, chefe da legião e comandante do Sul da Província.No dia 1 de setembro de 1842, Caxias entrava triunfalmente em Ouro Preto, como o pacificador da Província. É fato curioso: cem anos depois o escritor Martins de Andrade, filho ilustre de Pouso Alto, (1942) publica um livro sobre esses acontecimentos históricos em que seus conterrâneos participaram. Topo
CURIOSIDADES HISTÓRICAS
Eclipse total do Sol
Em 10 de outubro de 1912, foi observado em Pouso Alto o eclipse total do sol, fenômeno que em território deste estado (Triângulo e Sul) pôde ser contemplado pelos habitantes desta terra.

Pouso Alto e o Padre Aires de Casal

Em sua Corografia Brasílica, o presbítero Aires de Casal que percorreu as províncias do Reino do Brasil, pelos idos de 1818 se refere a Pouso Alto assim: Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos l4 léguias da Vila de Campanha, onde se recolhe algodão e trigo ...

Comarca do Rio das Mortes

A província da Minas Gerais, em 1714 contava 4 comarcas : VILA RICA, RIO DAS MORTES, SERRO DOS FRIOS e SABARÁ. A sede da comarca do Rio das Mortes era São João del Rey. Pouso Alto era paróquia de Santana do Baependi, então Vila e Termo da Comarca do Rio das Mortes.

Governador Luiz Diogo Lobo da Silva

Em 1764, após as investidas dos paulistas aos descobertos do Rio Verde, o governador General Luiz Diogo em companhia do Dr. Cláudio Manuel da Costa, percorrem os sertões do Piumi, Barra do Sapucaí, seguindo pela Campanha da princesa, no Rio Verde e Baependi, pernoitando em Pouso alto afim de delinear as divisas da nova província das Minas Gerais.

Exportação de Fumo

Em 1913 era grande a exportação de fumo, em rolo e corada, atingindo quase 100 mil arrobas por ano, sendo o Distrito do Picu que melhor marca produzia, havendo 120 mil pés de fumo.

O giro do General

Foi o governador Luiz Diogo em 1763, no seu famoso giro pelo sul de Minas pernoita em Pouso Alto após percorrer a serra da Mantiqueira vinda das Minas de Itajubá, via Embaú, criou o registro do Capivari para fiscalizar a saída do ouro.

Novo nome para Pouso Alto

No tempo de sua permanência em Pouso Alto, o Padre José Ferreira Leite, grande conhecedor da língua brasileira desejava mudar a toponímia de Pouso Alto para PINDAYARA que em tupi guarani quer dizer a mesma coisa: Pouso Alto. Topo

POUSO ALTO - SEU PASSADO E SEU FUTURO
A velha e histórica cidade de Pouso Alto, no sul de Minas, tem na atualidade o seu pequeno surto de progresso.
Nem era possível que este belo torrão não despertasse do seu secular letargo para o concerto que entoam seus co-irmãos na laboriosa conquista construtora, que transformou rapidamente.
Foi-se a indiferença em boa hora!
A nova geração, como que tocada pela vertiginosa avançada que derruba as barreiras dos preconceitos, vencendo resistências sistemáticas, vem resoluta escalando posições de mando, empunhando o lábaro do trabalho esclarecido, e, associando energias dispersas, toma iniciativas magníficas, que devem dar ao seu labor os mais fecundos resultados.
Também a natureza destinara estes alcantilados serros, para um porvir risonho, dotando-os de incomparáveis belezas naturais, de um clima de incalculável benignidade e de águas as mais puras; e o homem aproveitando a natureza, vai tirando partido dos dons que e1a concedera ao solo, estendendo suas searas pelas várzeas e pelas encostas, multiplicando os seus rebanhos pelos ricos prados verdejantes, abrindo vias de comunicação com os povos limítrofes , fundando novos núcleos de população por toda parte.
Situado nas fraldas da orgulhosa Mantiqueira, a velha POUSO ALTO é criação dos intrépidos bandeirantes paulistas, que nos séculos passados rasgaram audaciosamente as gargantas do EMBÁU, e, varando florestas milenares lançaram nesta altura o primeiro marco de nossa heróica invasão.
O nome POUSO ALTO lhe ficou tradicional; o lugar marcava, nos feitos bandeirantes da conquista do interland, a primeira etapa desses ousados sertanistas que na figura de FERNÃO DIAS têm o símbolo mais perfeito de resistência máscula e da coragem indômita dos nossos antepassados.
Da grande área da POUSO ALTO de outrora pouco resta na atualidade ao município.
Núcleos, em tempo subordinados à supremacia da sede, dela se separam, na ânsia de por si e para si viverem florescentes e belos.
Mas POUSO ALTO, cada vez que se via mutilado em lugar de ressentimento do golpe, acompanhava, solícito e tranqüilo o desdobrar da vida florescente das células que se destacavam de seu ser.
E com os elementos a que ficava reduzido, recomeçava heróico, a sua própria vida.
Era natural entretanto, que os choques traumáticos entravassem a marcha da sua evolução; e essa é a causa essencial do estacionamento de que vem se libertando, pleno de energias ao sopro mágico de uma falange filhos ,certos do êxito que seu civismo lhe assegura.
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ÍNDIOS ESCRAVOS
O governador e capitão generaL Luiz Diogo Lobo da Silva que assumira o governo da capitania das Minas Gerais, em 23 de Dezembro de 1763, cumprindo ordens de Sua Majestade, mandou que libertassem da escravidão os índios cativos.
Domingos de Oliveira morador freguesia de Pouso Alto porém mantinha cativa uma índia com o nome de Leonor, da nação carijó, mais seus filhos e parentes. Maltratados e espancados a índia rogava ao Capitão-general que mandasse o Cabo de Esquadra Domingos da Cruz, comandante do Registro de Capivari se pronunciar a respeito. O requerimento do suplicante não era apenas um apelo mas uma denúncia contra o algoz de sua liberdade.
O documento esclarecia o seguinte:
"... então tem o suplicado os sup.tes em mayor consternação de sorte que Va. Ex.a. esteve nesta freguesia estiveram os sup.tes debaixo de sentinelas de noite e de dia de huns filhos do sup.tes do Só afim de os Supl.tes senão fossem a Va. Exa. queixar,..."
Quer dizer que Domingos de Oliveira impediu que a índia ou seus filhos fossem pessoalmente ao Capitão General Luiz Diogo, quando de sua visita a Pouso Alto, revelar seu cativeiro. O Capitão tomou as providências e ordenou ao Capitão Antônio Rabelo administrador do Registro do Capivari e o cabo Comendador Domingos José da Cruz procedessem as averiguações. Estes solicitaram informações do vigário de Pouso Alto, Padre Domingos Nunes Pereira que não só provou a qualidade da índia da nação carijó dos suplicantes como condenou o procedimento do escravizador, acrescentando:"...com o falso pretexto de administrada e escandalosa vida e ofensa de Deus de que querendo se apartar o não consíguio pelo grilhão do falço cativeiro.."
Pouso Alto, 3 de fevereiro de 1765. Padre Domingos Nunes.
Semanas após, chegava de Vila Rica, ordem de prisão para Domingos de Oliveira e liberdade para a índia, seus filhos e parentes, tudo bem cumprido e no " que for servido" pelo Cabo de Esquadra Domingos da Cruz e que por coincidência xará do tal Senhor de escravos...(Código número 59 L seção do Arquivo Público de Mineiro, pág.l03 citado por Guerino Casasanta num de seus trabalhos sobre a História de Minas gerais) Topo

NOBILIARQUIA POUSO-ALTENSE
A cidade de POUSO ALTO teve dois Barões: o BARÃO DE POUSO ALTO e o BARÃO DE MONTE VERDE.O Barão de Pouso Alto, chamava-se Francisco Teodoro da Silva; nasceu em 11 de outubro de 1848 e faleceu em 7 de junho de 1898; contraiu núpcias com Rita Pereira da Silva, filha de Miguel Pereira da Silva e D. Isabel Pereira da Silva.
O Barão de Monte Verde, Joaquim Pereira da Silva, nasceu em 15 de outubro de 1872 era filho de José Pereira da Silva, português de Vila Nova de Gaia e D. Maria Pereira da Silva. O Barão de Monte Verde casou-se coma prima Rita Pereira da Silva que era viúva do Barão de Pouso Alto.
A VISCONDESSA DE MONTE VERDE, D. Maria Teresa de Souza Fontes, também de Pouso Alto, nasceu em 17 de abril de 1867 e faleceu em 1896 em Minas Gerais.
O Sr. Joaquim Pereira da Silva, o Barão de Monte Verde, era o segundo possuidor desse título. Suas terras, hoje cortadas pela Rede Mineira de Viação e Estrada de Rodagem Federal, alcançavam as divisas da zona rural de São Lourenço, dai chamar-se Fazenda do Barãozinho a propriedade pertencente ao sr. Ismael Junq
ueira de Souza.
Como vê, POUSO ALTO não é somente uma cidade de tradições históricas, mas a própria história de Minas Gerais, onde seus vultos ilustres, escritores notáveis, juízes e promotores brilhantes deixaram seus nomes gravados, além da alta linhagem de seus cidadãos, dos Barões e viscondessas que davam à aristocracia local um toque requinte e nobreza.
(O Anuário Genealógico Brasileiro, dirigido pelo Coronel Salvador de Moya, traz esses informes sobre os Barões acima citados. Nota de 1959)
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VULTOS DA MAGISTRATURA MINEIRA NA HISTÓRIA DE POUSO ALTO
DR. ALBERTO DEODATO MARIA BARRETO
Dr. Alberto Deodato nasceu em 1896, em Maroim, Estado de Sergipe. Formou-se em Direito, na Faculdade de Ciências Jurídicas e sociais do Rio de Janeiro em 1919. Promotor de Justiça em Pouso Alto e Rio Pardo de Minas Gerais. Vereador em Belo Horizonte. Deputado estadual e federal por nosso Estado, pelo UDN do qual foi presidente, no Estado, substituindo Virgílio de Melo Franco. Professor de Direito Internacional Público e catedrático atual de Ciências das Finanças, na Faculdade de direito da Universidade de Minas Gerais. Publicou "Senzalas"; "Canaviais" e a "Doce Filha do Juiz", contos os dois primeiros e romance o último. "Canaviais foi primeiro prêmio da Academia Brasileira de Letras, em 1921 e o romance menção honrosa da mesma Academia, em 1928. Colaborou em quase todos os jornais de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro e, quando foi promotor em Pouso Alto, colaborou no "O Jornal de São Lourenço", dirigido na época pelo Comendador Oscar Fagundes.
Dr. Alberto Deodato é um político ardoroso. Suas crônicas na "Tribuna da Imprensa e no "Maquis" do Rio de Janeiro, vazadas nu estilo ameno, são como aguilhões no lombo dos vendilhões da Política, ferem devagarinho, com os exemplos cotidianos, fatos extraídos da própria vida, que fazem do político e escritor ilustre, uma pena incomparável e temida.
Sua passagem pela Comarca de Pouso Alto ficou assinalada de modo indelével, gravada na memória dos homens que o conheceram, no início de sua vitoriosa carreira, como o promotor público que achava a doce filha do juiz digna de um romance.
JUIZ LUIZ SILVÉRIO DA ROCH LAGOA
Na cidade de Ouro Preto, em 25 de agosto de 1900, nascia Luiz Silvério da Rocha Lagoa, sendo filho de Francisco de Paulo Rocha Lagoa e D. Amélia Amaral Rocha Lagoa. Fez seus estudos no Colégio Militar de Barbacena e no Externato do Ginásio Mineiro da mesma cidade, de 1913 a 1918.
Formou-se em Direito aos 23 de dezembro de 1923 pela Faculdade de direito de Belo Horizonte, passando, então a exercer cargos do Judiciário Estadual.
Assim foi Promotor de Justiças da Comarca de Pouso Alto, de 1924 a 1925, de Machado, em 1926 e de Manhuassu de 1929 a 1939. Exerceu as funções de Juiz Municipal da Cidade de Manhuassu em 1928. Foi nomeado professor das cadeiras de português e francês da Escola Normal Oficial de Curvelo em 1928, não tendo porém aceito a nomeação.
Lá publicou os seguintes trabalhos Topologia Promocional e Aplicação de Direito. Foi agraciado com medalhas Marechal Hernies e Marechal Caetano de Faria.
Foi Juiz de Direito das Comarcas de São Francisco de janeiro a julho de 1939 e de Boa Esperança, de dezembro de 1939 a outubro de 1940. Foi presidente da subseção da Ordem dos advogados do Brasil, com sede em Manhuassu, de 1931 a 1939.
Dr. Luiz Silvério iniciou sua carreira como promotor público de justiça em 1924, sucedendo o Dr. Alberto Deodato. Foi substituído pelo poeta e escritor Dr. Rui Ribeiro Couto. A Justiça da Comarca era presidida pelo grande e integro Juiz Dr. André Martins de Andrade. Funcionava como Juiz Municipal o Dr. Leonino Teixeira e as funções de escrivão do primeiro ofício eram exercidas pelo jornalista Mário Netto , e no segundo ofício, Sr. Marcos Grilo e do crime o Sr. José Magalhães. Entre estes destacamos também as figuras de: Des. André Martins de Andrade, Dr. Geraldo Henrique Cruz , Dr. Rui Ribeiro Couto e tantos outros que deixaram seus nomes incólumes e foram julgados através da história como JUIZES DE TOGA IMACULADA.
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VULTOS QUE FIZERAM NOSSA TERRA
JOSÉ CAPISTRANO DE PAIVA

"Os anos enrugaram a pele mas somente o abandono do entusiasmo enrugam a alma."
Parecia-nos ler essas palavras nos olhos do Sr. Paiva quando ele, arquejando entrava na sala de aula. Muitos perguntavam: como é possível semelhante absurdo. Um homem de 80 anos lecionar. É que aquele homem era avançado em idade mas guardava o idealismo de um jovem de 20 anos. Foi nesta terra, o exemplo de homem honesto e caridoso. Sr. Paiva foi em Pouso Alto: Médico, farmacêutico, professor, Juiz de Direito e Paz. Ocupou todos os cargos políticos que existem numa cidade e soube sempre, com altruísmo a abnegação, mostrar aos homem que, na vida, vence aquele que soube conservar no coração a mocidade e o idealismo. A vida de José Capistrano de Paiva foi para nós um exemplo de amor, de entusiasmo, de heroísmo, de alegria e de juventude, o que significa a predominância de coragem sobre a timidez dos fracos.
Tenha-o na luz da glória, o "Deus que alegra nossa juventude."
SEBASTIÃO LOPES DE OLIVEIRA
Foi um filho querido de Pouso Alto. Ninguém como ele soube amar esta pequenina aldeia entre montanhas.
Raras vezes o víamos pelas ruas. Vivia recolhido em seu lar, no aconchego da família.
Alma simples, marcada como sinal da caridade, pensava pouco em si e muito nos outros.
Foi um benfeitor de nossa terra que lhe deve a mais abnegada cooperação de todas as circunstâncias. Alegre e espirituoso, consolava os tristes, fazendo renascer novas esperanças nos corações envelhecidos, fortificava os corações jovens.
Não quis fundar um lar. Poderia, assim, melhor repartir com todos sua dedicação.
A mais bela flor deste ramalhete de virtudes que lhe ornava a alma era a sua conformidade. A vida, por vezes lhe foi ingrata. Entretanto, não lhe faltaram fortaleza de ânimo, espírito de fé.
Confiante em Deus, suportava cristãmente o sofrimento.
Sr. Sebastião Lopes de Oliveira, sua vida foi um exemplo para nós.
Que Deus o tenha junto de Si, donde estais a zelar por seus amigos pouso-altenses.
FELIZARDA RUSSANO
Dona Felizarda foi durante sua vida um exemplo de mansidão. Viveu entre as flores, que ela tanto amava. Viveu entre os netinhos dedicando a cada um deles uma ternura sem par. Viveu serena, tendo nas mãos o seu bonito crochê e, no coração, uma reserva imensa de carinho e meiguice.
Choramos sua morte, mesmo com a certeza de que sua memória esta a sempre viva entre nós. Choramos sua morte, embora cientes de que será de luz o seu repouso eterno junto de Deus. Choramos sua morte, porque somos pouso-altenses...
Que a terra lhe seja breve, querida Dona Felizarda, porque leve e delicada foi a sua preciosa existência.
PAULINO VITO NOGUEIRAFostes um homem idealista, porém pobre... mas para que querias riqueza, se já possuías um coração de ouro, inteligência rara.. Fostes o primeiro diretor do Grupo Escolar. É uma pena que tenhamos nascido antes para poder conhecer-te e amar-te. Como sentimos em teus companheiros, que nos falavam de tua pessoa, estima e admiração pela tua vida santa. Disseram-nos que tua simplicidade foi sem igual, gostavas das coisa puras como as flores e as árvores. Disseram-nos que passavas horas à sombra de uma delas contemplando suas singelezas. E quando, já velho, cansado, preferistes a modéstia e o sossego da vida do campo, quantos caminhantes te encontravam, à tarde em seu passeio costumeiro, sempre pachorrento, amparado por um bastão e um terço, que rezavas enquanto caminhavas. Paravas à beira da estrada, às vezes para descansar, pois, a caminhada já te parecia esmagadora por causa de tua idade avançada. Vinhas todos os dias enquanto podias enxergar, até o mortinho de Dona Altina, como diziam para contemplar Pouso Alto que tanto amavas, e tanto lutaste pelo seu progresso. Quando te diziam: " Pouso Alto é bananeira que já deu cacho" respondias: "Ela deu e dará muitos"...
É certo Paulino Vito Nogueira, pois seguindo teus luminosos exemplos, teus filhos estão transformando esta torrão querido.
E hoje nestas humildes palavras, emocionados sentimos como estivéssemos conversando contigo, Oh! Imortal Paulino Vito Nogueira.
ANTONIETA HORTA TEIXEIRA
Muitos foram os que lutaram pelo engrandecimento de nosso torrão natal e que nos deixaram saudades, e como lembrança, os mais elevados pensamentos, suas crenças mais puras e seus sentimentos mais nobres. Entre estes heróis merece destaque, D. Antonieta Horta Teixeira, pois mesmo não sendo filha de Pouso Alto, soube ama-la como ninguém.
Nasceu em Campanha, no dia 6/09/1884, onde cursou a escola normal. Foi porém em Petrópolis que aperfeiçoou seus estudos.
For ocasião da instalação do Grupo Escolar, juntamente com D. Mimi Carneiro e outras, formava o primeiro quadro de professoras. Ali dentro da cordialidade, humildade e justiça desempenhava sua função. Inteligente e possuidora de extraordinária capacidade de trabalho, realizou um vasto plano educacional.
Era de uma conduta impressionante, tanto na vida pública como particular. Em sua morada acolhia a todos com carinho e simplicidade.
Dotada de uma alma grande e generosa, prestava relevantes auxílios aos nossos pobres. Mesmo depois de velhinha, nada impedia de galgar o morro que leva à matriz para glorificar o nosso criador. Após 75 anos de uma vida pontilhada de lutas, faleceu aquela que foi caridosa, humilde alegre e culta. Legou-nos um nome imaculado, sábios conselhos e um verdadeiro exemplo de desprendimento e amor ao próximo. Que cada um de nós, preste a D. Antonieta a homenagem que lhe é devida. Pouso Alto, em côro, deve cantar as glórias daquela velhinha de leves cabelos brancos, que tanto a amou.
Se fossemos escrever sobre cada um dos vultos que fizeram nossa terra, faríamos um álbum imenso, mas cultuando sua memória deixamos aqui seus nomes.
Maria Vieira dos Reis
Dom Antônio Augusto de Assis
Dr. Joaquim Bento Ribeiro da Luz
Manoel Ferreira Cruz
Comendador Pinto Dias
Coronel Targino de Carvalho
Maria Carneiro Vilela Brandão
Joaquim Pereira da Silva - Barão de Monte Verde
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FORMAÇÃO JURÍDICA
A Comarca de Pouso Alto criada pela Lei Provincial n° 2462 de 19 de outubro de 1878, abrange consoante os quadros de divisão terrrtorial datados de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como o anexo ao Decreto-Lei estadual n° 88 de 30 de março 1938, dois termos: o da sede (com os municípios de Pouso Alto, São Lourenço, Virgínia) e o de Itanhandú.
Em razão do Decreto-Lei estadual nº 148 de 17 de dezembro de 1938, fixou a divisão judiciário-administrativo do Estado, a vigorar no quinquênio 1939-1943. A comarca de Pouso Alto perdeu para. Itanhandu,  recém criado, o termo desse nome. Nessa divisão, como também na em vigor no quinquênio 1944-1948, e estabelecida pelo Decreto Lei nº 1058 de 31 de dezembro de 1943 a comarca de Pouso Alto compreende unicamente o termo sede, a que permanecem jurisdicionados os municípios de Pouso Alto, São Lourenço e Virgínia. As Leis n° 336 de 27 de dezembro de 1948 e nº 1039 de 12 de dezembro de 1953, que estabeleceram novas divisões judiciário-administrativo do Estado, mantiveram subordinado ao termo e comarca de Pouso Alto os municípios de São Lourenço e Virgínia. Atualmente compõem-se dos distritos de Pouso Alto e Santana do Capivari.
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COLÉGIO DOS PADRES MERCEDÁRIOS
A comunidade dos padres mercedários estabeleceu em Pouso Alto por portaria do ordinário diocesano datado de 20 de outubro de 1926, com faculdades para estabelecer casa de formação e estudo da congregação. Mediante esta provisão, teve o colégio 10 postulantes, 4 noviços, 2  aspirantes e 2 sacerdotes.O colégio teve no inicio 13 internos. 19 entre externos e semi internos num total de 32 alunos.O colégio chegou a ter 150 alunos matriculados. Topo

IMPRENSA DE POUSO ALTO
Não há nada que mais represente o documentário de uma cidade que seja sua imprensa. Pouso Alto já teve vários jornais, dirigidos por homens d.e talento e cultura. Sua imprensa se destacou pelo brilho de seus jornalistas e pelas constantes defesas das causas publicas. Circulavam pela cidade "A GAZETA DE POUZO ALTO" (se escreve com 'z'), " A DEMOCRACIA", "POUSO ALTO".
Dentre as figuras jornalísticas desta velha Pouso Alto, destacava o farmacÊutico oficial do segundo ofício da comarca.
Mário Netto, um espírito fulgurante, orador eloquente e jornalista vigoroso. Os tempos passaram ... Mário Netto parte para o Rio dando impulso a sua verdadeira vocação. Ingressou na imprensa metrópolitana em "A NOTA", Mário Netto não só confirmou seus pendores jornalísticos, mas como bem salientou Leal de Souza foi o DEPUTADO DE MINAS.
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POUSO ALTO, CIDADE EM QUE MOROU RIBEIRO COUTO
O CENÁRIO DE "CABOCLA" 
Por Odylo Costa Filho Transcrito da "CARIOCA"
Pouso Alto, lugar em que Ribeiro Couto, compôs alguns dos poemas de "Provincia", lugar em que ele morou e foi útil. Aqui, um dia um prefeito mandará colocar uma placa na casa em que o poeta morou mais de três anos. Aqui todo o mundo ama Ribeiro Couto, como ser vivo, real presentemente a que, si necessário, a coboclada irá apresentar suas queixas contra as autoridades ásperas; e no mesmo tempo como algum personagem imaginário e heróico. Ele desceu um dia para tomar ares, gostou do lutar, veio respirar esse ar frio e seco. Foi promotor público, criou um ginásio, iniciou a construção de uma praça "Praça Ribeiro da Luz". Sua  casa, tinha um só pavimento. Na sala de frente ficava seu escritório, onde estudava direito e escrevia versos. Defronte, nos fios telegráficos pousavam passarinhos, com a vida constantemente ameaçada pela espingarda do promotor. Nos fundos, passa o Ribeirão Pouso Alto; e ali peixes pacíficos - os mandis, os lambaris, as curimbatás de gosto de terra também andavam tontos, enfrentando a tentação constante das iscas do anzol do promotor ...  
No quintal, entre tábuas e caixotes(detalhe sobre que não há informações precisas) o já mencionado promotor tomava banhos de sol, estilizados e lentos, não sei si o visitante futuro ainda encontrará aqui os informantes preciosos que conservam a saudade do Sr. Ruy Ribeiro Couto. De certo, achará o mesmo ambiente provinciano que lhe permitiu viver intensamente e deu a sua poesia a marca das coisas vividas. De certo alguém contará como José Luiz, seu oficial de justiça, já doente, não acreditou quando lhe disseram que o Dr.Ruy ia embora, e chorou, e seis meses depois morreu ... De certo na farmácia Paiva, "seu" Paiva lhe narrará como Ribeiro Couto convocou o município inteiro para pedir dinheiro, afim de fundar o ginásio e aconselhou, sob a desaprovação do padre local, que quem não tivesse abonado fosse furtar, mais desse. E de certo o Capitão Macario Pinto Dias saberá recordar longamente como apareceu na vida desse gente - e na sua - o romancista da "Cabocla", e reconheceu o capitão Macario pela descrição de seu jeito simples e se dirigiu a ele, que picava na mão fumo para fazer cigarros de palha, e se deu a conhecer, e desde então e no mesmo instante foram amigos íntimos.
Do hotel em que estou se avista metade da cidade. Em frente, uma praça tem agora o nome do Sr. Getúlio Vargas, e é ligada, a outra praça, de iniciativa de Ribeiro Couto onde está a herma do Desembargador Ribeiro da Luz, que aqui foi juiz e homem de bem e justo. Além dessas duas praças e dominando a cidade, está a Igreja Matriz, mas para chegar ate lá é preciso ter realmente fé, e preciso subir uma ladeira adoralmente íngreme, calçadas de pedras toscas, uma ladeira que se tem a impressão que nasceu expontaneamente, como se vê hoje, com um aspecto ao mesmo tempo lírico ingênuo, com o ar das coisas que já nascem antigas e definitivas. E quanta fé existe aqui: Tem se a impressão de andar entre os primeiros apóstolos. Essa gente barbada, esses velhos veneráveis, vestidos de opas, rodeando o padre para a explicação dos evangelhos, o povo de chita e de brim, meninas e mocinhas com seus vestidos novos, todos jogando os joelhos ao chão na hora da prece coletiva, não é este do espetáculo o melhor, o mais belo que a igreja pode oferecer? Aqui, entre as montanhas que cercam Pouso Alto, vivem velhos de barba branca que falam português e rezam em voz alta, a mesma prece que Jesus Cristo Nosso Senhor, ensinou aos homens há dois mil anos. Aqui as criaturas se casam e os corpos se encomendam para o descanso eterno, para o rito que se usa nas capelas do fundo da África, nas missões. Oh! a Igreja de Deus, milagre universal no tempo e no espaço! Os cruzeiros que abençoam a cidade não atestam somente que "os antigos documentos cederam ao novo rito" e sim que os moradores em vez de amarem tupã e comer o próximo, que importa se por necessidade fisiológica, para obedecer a determinações da religião ou para simples divertimento, sabe que Jesus Cristo teve um dia no mundo, roga a Nossa Senhora por suas almas, e sabe que alguns judeus hirsutos tal e qual eles, acreditaram em certas assombrações e sem nunca ter aprendido outras línguas e nem visitado outros povos, espalharam a Boa Nova pelos sete mares.
Vejo que pela primeira vez o adjetivo tão usado por ele "inefável" tem sua razão de ser. Inefável é o que não tem palavras para dizer. E com que palavras descrever esta cidadezinha, a beleza das casas de traçado brasileiro, simples, direto, sem muitas voltas, o Ribeirão de Pouso Alto cortando tudo com seus tons verdes, e conversa gostosa, o ar quase gelado e entretanto sem umidade, que penetra em todo corpo "como um remédio impalpável", os verdes morros em redor, onde o capim põe tons encarnados? Com que palavras? Ainda que tudo aqui fale de Ribeiro Couto, basta essa sensação das coisas que a ternura nos impede de delimitar, de definir e de descrever, para que a lembrança dele me acompanhe. Vou andando e o vejo ao meu lado, andando depressa, respirando forte e afirmando vitorioso, para uma espécie de irmão mais moço que lhe proibiu o uso de "inefável". Que outro adjetivo encontrar para isso? E com que alegria inefável verifica que não há resposta! Topo

INSTALAÇÃO DO GINÁSIO DE POUSO ALTO
Realizou-se no dia 25 de agosto de 1959 a solenidade de instalação do Ginásio Pouso Alto, movel estabelecimento de ensino que veio enriquecer o patrimonio cultural deste municipio. 0 ato contou com a honrosa presença do Exmo. Sr. Dr. José Ribeiro Pena DD. Secretário da Segurança do Estado e de sua Exma. esposa d. Mari Nogueira Ribeiro Pena, deputados estaduais Hugo Aguiar e Manoel Costa, Dr. Vasconcelos Costa ex. Deputado Federal e ex. Prefeito de Pouso Alto, Dr. Geral do Henrique Cruz ilustre Juiz de Direito da Comarca e Diretor do Estabelecimento, Dr. Francisco Xavier Mancilha, Promotor Público, autoridades municipais, jornalistas, e elementoa da sociedade local. 0 prefeito José Ribeiro Pires abrindo a solenidade convidou para falar, o Exmo.Dr. Geraldo Henrique Cruz, que num brilhante discursse fez o histórico ds fundação do Ginásio, enaltencendo o empreendimento do Prefeito e a cooperação espontânea dos profesaores para tornar realidade aquela casa de ensino médio. Antes falou uma aluna em mome da mocidade de Pouso Alto agradecendo as autoridades que não descuidam dos problemas de ensino, em benefício do engrandecimento da terra amada. Falou em seguida o Deputado Manoel Costa. Sua oração foi eloquente e mereceu calorosos aplausos da assistência. Sob uma salva de palmas, a Exma Sra.Maria Nogueira Ribeiro Pena, que ali estava presente e paranifando a instalação oficial do Ginásio, usou da palavra para agradecer a escolha de seu nome para madrinha do estabelecimento. Seu discurso foi uma peça literária brilhante internecedora, cujas palavras pareciam vir do ámago do coração, revelando cultura que entre outros predicados que exornam a ilustre esposa do Dr. José Ribeiro Pena, é uma das mais excelsas virtudes da inteligência feminina de Minas Gerais.
A seguir no palco do Grupo Escolar onde funcionava provisoriamente o Ginásio, foi representado pelos alunos e alunas diversos bailados, esquetes e recitativos, tudo sob o calor dos aplausos da assistencia que superlotava o recinto. Topo

RODOVIA ASFALTADA PERPETUOU O ROTEIRO DOS BANDEIRANTES
Pouso Alto, foI outrora, o grande centro irradiador do comércio do sul de Minas, o importante empório do século XVII, a encruzilhada dos "Sertões dos Cataguás".
A primitiva estrada do sul de Minas para o Rio de Janeiro, chegando a Capivari tomava à direita seguindo pelo antigo Registro da Mantiqueira, atravessando o Paraíba no ponto da Cachoeira, para buscar a Vila de Areias.
Em 1818, porém os moradores da Vila de Campanha, Baependi e Pouso Alto, pediram a D, João VI "licença para, a sua conta, abrirem a nova estrada da Capela do Capivari ao Picu, no alto da Mantiqueira, e daí atravessando direto o Paraíba vir buscar a estrada abaixo da Vila de Areias."
Em 1819 a pretenção foi deferida e a estrada construída descendo pela garganta que na serra da Mantiqueira, se abre entre os altos picos do Itatiaia e do Picu. Na raiz da serra atravessava o sítio onde se encontra atualmente, a estação  Engenheiro Passos (antes Boa Vista), da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Pouso Alto era, praticamente, a primeira etapa dos bandeirantes e, depois dos tropeiros, boiadeiros, forasteiros e viajantes que demandavam de Piratininga para a antiga Comarca do Rio das Mortes.
Ali chegavam, constantemente, os "bruaqueiros" cobertos de poeira, salpicados de lama, queimados pelo sol  ardente, para pousarem. Desarreiavam sua mulas e descarregavam as "bruacas" cheias de mantimento: feijão, queijo rapadura, fumo bijú de farinha de mandioca, fubá de milho, quimquilharias, baetas, mantos de recamadilho, capilhas de setim, chapéus de Bardá, cobertores de chamalote caças de pertetuana, uma festa para as donas de casa ...
Os boiadeiros com suas mulas com adêlos e peitorais de prata, levando o gado para Santa Cruz, ou para as feiras de Sorocaba, e os tangedores que faziam transporte de viajantes, movimentavam a velha Pouso Alto.
Em 1873, já havia um serviço de liteira, cavalgadura arreada e animal para carga para o transporte de viajantes da Corte à Província de Minas Gerais. A viajem da Corte à Pouso Alto era feita em dois dias. No lº dia, da Corte pela Estrada de Ferro D.Pedro II à Estação da Boa Vista. No 2° dia, da Boa Vista à Pouso Alto com o seguinte itinerário: o viajante seguia para João Manuel daí para o Palmital. Depois vinham as localidades: Registro do Picú, Engenho da Serra, João Pinto, descendo para São José do Picú depois para Capivari, onde faziam as refeições no HOTEL RENDEZ VOUS DES VOYAGERUS;
Daí seguia para Pouso Alto para o pernoite e descanso dos animais.
Com a construção da Rede Mineira de Viação a importância econômica de Pouso Alto ficou abalada, pois os trilhos desviaram o roteiro para a Várzea dos Maciéis, hoje São Sebastião do Rio Verde. Em compensação, ganhou uma estrada asfaltada que atravessa o coração da cidade e perpetuou o roteiro dos bandeirantes. Topo

O ENSINO EM POUSO ALTO
O ensino em Pouso Alto cada vez se difunde mais graças aos seus dirigentes que tudo vem fazendo para educar e instruir a infância de sua terra. No tocante à instrução municipal, conta o município com 13 escolas rurais e duas escolas de 1º Grau, sendo uma de 1ª à 8ª série. Em âmbito estadual conta com uma escola de 2° Grau profissionalizante.
O magistério muito se tem destacado no seu sacerdócio anônimo quase diurno, para desbravar a inteligência das crianças, dando-lhes a luz do saber e aprimorando-as para serem os homens de amanhã.
A Escola Estadual "Ribeiro da Luz" de 1º Grau é um estabelecimento de ensino que se impôs ao conceito geral. Funcionando desde 25 de março de 1909, com 68 anos de existência dedicados às muitas gerações de pousoaltenses, ele soube grangear o respeito e a veneração dos que ali passaram. A Escola Estadual "Ribeiro da Luz" é principalmente, pela eficiência de ensino que ministra e pelo rigor que exige de seus alunos no aproveitamento das lições e prática que transmite, um educandário que honra a memória de seu primeiro diretor Sr. Paulino Vito Nogueira. Dispõe de um seleto corpo docente, de elevada e reconhecida competência, dedicado aos seus misteres e esforçando-se para que os alunos alcancem uma base sólida, capaz de garantir para o futuro, habilitação segura e continuar o engrandecimento cultural de Pouso Alto, de Minas e do Brasil. Topo


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