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HOMENAGENS

O Jaguar (Júlio Ribeiro)

Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos (Sinésio Fagundes)

O Casarão

Voltei (Terezinha Pires)

Sopro de afeto, em festa de parabéns (Cidoca Mira)

Minha Terra (Martins de Andrade)

Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos (Manoel Noronha)

Minha Terra (Marina da Conceição Oliveira)

Terra Centenária (Paulo Lúcio)

Escondida nas Terras Altas (Luiz Alexandre)

Pouso Alto (Antônio Claret Vilela)

Pouso Alto (Joana Mira)


O JAGUAR

Júlio Ribeiro

(Extrato feito do livro Padre Belchior de Pontes de Júlio Ribeiro, escrito em 1876)

POUSO ALTO
Salve região selvática , onde correu veloz a minha infância! Salve, montanhas agrestes, que galguei com a fronte rorejada de suor e o coração cheio de crenças! Salve florestas virgens confidentes de meus primeiros afetos! Salve, cascatas ruidosas, que me desalterastes tantas vezes os lábios pulverentos da jornada! Salve linfa da riacho, vencido por mim a braço domada por mim a remo! Salve céu puríssimo, alentador de minhas esperanças de menino! Salve, ecos que repetistes as minhas primeiras queixas! Salve, que bebestes minhas primeiras lágrimas!
Daqui destas plagas de indústria e trabalho, onde o vapor tem trono e a eletricidade um altar, gasto pelo atrito do mundo, sem ter no peito uma fibra que possa ressonar em doce acorde -- eu ainda te envio uma saudação:

SALVE POUSO ALTO, SALVE!
Nas fraldas da vertente setentrional da Serra da Mantiqueira alonga-se por alcantis e fraguedos o vale estreito de um dos confluentes do Rio Verde.
Rolando águas fundas e límpidas, esse ribeiro murmura lânguido por sob dosséis de folhagens, entre duas orlas de capitubas sempre virentes.
Uma colina começa a margem direita, eleva-se abrupta e vai terminar num remanso.

EIS POUSO ALTO
Daí a vista espraia-se por um oceano de agulhas pedregosas, de cristas esguias, de cortes alpestres de cumeadas fantásticas, na extrema do horizonte, onde o cerúleo do firmamento se confundem com o azulado da cordilheira, vê-se erguido um colosso de granito, ora toucado, qual velho achacoso, por um barrete de neblina, ora fazendo reverbarem aos raios do sol, como armadura polida, os filetes de água clara que decorrem-lhe do topo e banham-lhe o dorso...
É o penedo lendário, a pedra dos encantos, o fabuloso Pico que, posto como atalaia no viso da serra, marca hoje a linha divisória entre São Paulo e Minas.
Há cento e sessenta e sete anos quando as carícias impudicas da civilização não tinha ainda rasgado a clâmide de florestas com que se vestia a rude virgindade dessa regiões ferazes; quando o gênio aventureiro e caprichoso do homem não tinha pendurado no morro de POUSO ALTO esse acervo de casinhas brancas que hoje vêem-se de longe, semelhante a um fato de travessas cabras, quando a poética igrejinha que ora coroa-lhe o cume esplanado dormia ainda o sono do nada nos intermúdios nevoentos da concepção; por uma tarde límpida de abril, no sopé da ladeira, em uma aberta à beira do riacho... topo


NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS POUSOS ALTOS

Sinésio Fagundes

Louvada sejas, Pouso Alto sobranceira
Cidade venerável, heróica e altaneira
Oculta nos coxins verdes das colinas
Pelos beijos quentes de sol acariciada
Ao romper da alva, a festiva madrugada
Que envolve as cordilheiras de Minas.

Quero Pouso Alto, evocar tua história
Reviver teus dias de esplendor e glória,
Ouvir do Rio Verde, nas noites de luar
A voz do teu passado na música dolente
Que soluça baixinho e embala tua gente,
Acalenta o amor e nos faz sonhar...

Vejo-te Pouso Alto, no meu sonho profundo
Qual lapinha sertaneja na alvorada do mundo,
Nas montanhas agrestes, os campos lourejantes,
As várzeas extensas e o matagal frondoso,
Purpurejando sob um céu azul e radioso,
Como te viram certa vez, os bandeirantes!

E sonho a teu lado, visões, talvez miragens
Gigantes desvirginando estas paragens,
Fecundando a terra, semeando cidades,
Ao soar da inúbia ,ao estrondo do bacamarte...
Gente estranha, de artimanha e arte
Que não temia as maiores dificuldades.

Ontem era os sertões dos cataguás belicosos
De montanhas imensas e rios caudalosos,
Além do Paraíba, prá cá da Mantiqueira,
Atalaia indomável, fortaleza invencível,
Do bravo gentio, de coragem incrível,
Que teve seu túmulo na própria cordilheira!

O sangue dos heróis manchou a terra fria,
E o brado do guerreiro, pela serrania,
Mais forte que o ribombar do trovão,
Ecoou vitoriosos pela imensidão perdida, 
Rasgando os horizontes e levando de vencida
As tribos guerreiras - os donos do sertão!

Fernão Dias, feição ardente e combativa
Contempla as Gerais da Mantiqueira altiva,
E vê o Rio Verde, serpenteando ao léu...
Homens barbudo de carapaça de algodão
De jaquetas douradas e botas de cordavão,
Caem de joelhos e elevam as mãos ao céu...

E os bandeirantes, quase mortes, cansados,
Desapertam os gibões e acampam no planalto
A noite chega, e sob a treva, os pirilampos,
Ao piscar de luz, inquietos pelos campos,
São como estrelas que bailam no céu de Pouso Alto!

Vejo ao longe, na névoa do matagal,
Os velhos casarões, o vestuto sobrado
De fachada de taipa e telha colonial
A capela de Nossa Senhora da Conceição
Que ainda existe lá no alto do espigão,
A velha ponte e o solar do senhor rural

Ali... A colina cercada de espesso matagal,
Uma clareira, um rancho de sapé, um arraial...
O Santo Cruzeiro - símbolo da cristandade,
Braços estendidos, hospitaleiros e solenes
Apontam aos viajantes as verdades perenes
E abençoam os pioneiros da pacata cidade...

Ao cair da noite, ao repicar dos sinos
Chamando o povo para o redil divino,
(há silencio na terra e paz no coração)
Vão mulheres de mantilhas rendadas,
Beijar os pés da Virgem Imaculada,
Da Santa padroeira -- A Rainha do Sertão.

Nas serras da Mantiqueira há um pouso alto de paz.
É uma bela terra mineira, onde até a energia se refaz!

Pouso Alto é uma das maravilhas que Deus ofereceu aos seus filhos, para que eles ss inspirassem, se elevassem espiritualmente no contemplação da beleza da criação.


" ... E que seja sempre lembrada Pouso Alto, na altitude de seu pouso" topo


O CASARÃO

Descendo a montanha
Por íngremes alamedas
Sobranceiro o nobre
ostentando, orgulhosamente
A opulência antiga
Testemunhador do progresso
E da fibra e arte dos antepassados,
Do bom gosto ainda importado
mas assimilado,
modificado o encarnado
se apresenta, na veste de luz
o prédio o grande prédio
o CASARÃO dos Barões,
ou dos prósperos fazendeiros,
da gente nobre desta terra amiga
o prédio da Prefeitura
e de tantas repartições
municipais, estaduais e federais.
Imponente, artístico 
Passado de Glória
Gravado no presente
E desejoso de viver no futuro.topo


VOLTEI

Terezinha Pires

Aqui estou na velha Pouso Alto!
Vim rever teu céu sempre azul,
Ouvir a canção do rio murmurante,
Contemplar as montanhas amigas
Que protegem nossa terra
Do frio e da solidão...
Ao rever-te Pouso Alto,
Fiquei a recordar...
Ainda era criança,
Subia a ladeira da Igreja.
Meus passos nas calçadas
Ressoavam no passado,
Trazendo saudade triste
De uma infância distante,
Despreocupada e feliz.
Recordei a Semana Santa:
Piedosa, acompanhei a procissão
De Jesus crucificado.
E o mês de maio... o frio...
Meu Deus, quanta saudade
Daqueles anjos puros
Coroando, a Senhora da Conceição!
As festas da Santa Casa
Tão cheias de entusiasmo,
Os folguedos na pracinha,
No coreto do jardim!
E, quando a noite foi chegando,
Senti o medo gostoso
Dos fantasmas do tempo de criança,
Enchendo as noites de terror
Era o lobisomem, mula sem cabeça,
Era a escrava negra
Que durante a quaresma
Percorre as ruas da cidade
E lava roupa no ribeirão...
E, no mundo dos meus sonhos,
Todas as histórias do passado,
Como num toque de magia,
Voltam a realidade...
Ouço o tropel dos cavalos
Dos bravos Bandeirantes,
Penetrando nestas matas
Em busca dos minerais
E fundando cidades.
E assim. POUSO ALTO foi surgindo
Aos pés do rústico cruzeiro
E abençoada pela Virgem da Conceição!
Muitos homens valorosos
Aqui nasceram e cresceram
E, por este mundo afora,
Vão levando deste terra
Uma saudade infinita
E um mundo de recordações!
Hoje, voltei...
Voltei para cantar tuas glorias,
Para rever-te altaneira,
Para matar a saudade.
És um POUSO ALTO, no alto
Ficas perto de céu
Bem junto de Deus...
És a grande terra mineira,
Vives em nossas lembranças,
Moras em nossos corações... topo


SOPRO DE AFETO, EM FESTA DE PARABÉNS

Cidoca Mira

Na passarela do mundo, visão colorida...
Retalhos de vida... Retalhas de amor...
O cheiro forte da terra natal.
Tudo diferente, porque diferente é ela própria, no paraíso das nossa lembranças.
Nem sempre a mais linda... Quase sempre inconfundível.
Preferida, amada, lembrada nas nossas prosas, destacada nas opções de cada instante.
Na ligeireza do pensamento, o penetrar em cada casa...
Chamar pelo nome cada morador: amigos, compadres, vizinhos parentes e irmãos.
Sorrir a alegria de todos... Chorar a dor de cada qual...
Porque somos unidade... Porque somos calor... Um só povo... Uma só gente.
Doce dizer baixinho: POUSO ALTO!
Imagem que se retrata até na expressão melancólica do olhar bem cheio de saudades.
Saudades de tudo... Saudades de todos...
Saudade da gente mesmo, quando se põe em movimento as asas da imaginação. Recordar! ... Reviver! ...
POUSO ALTO! Pedaço cultivado na força do bem querê-la, de muito desejar vê-la nas alturas dos afetos dos afetos dos muitos que viu nascer.
Ah! Se vive de lembranças? Ah! Se mergulha no que já se foi? É claro, porque a visão da terra é imutável...
Voltar faz bem... Somos uma raça! Sou pousoaltense!
Na alto dominando a colina, a Mãe Comum, Senhora da Conceição, no seu eterno sorriso, promessa de bênçãos, certeza de graças.
Pelas ruas, ainda o soar da velha cantiga de roda, que foi a base do amor cidadania que nos fez assim tão AMOR FILIAL:
"Se esta terra fosse minha, eu mandava ladrilhar, com pedrinhas de brilhante, para o meu amor provar. topo


MINHA TERRA

Martins de Andrade

        Minha Terra é triste e pequenina. Perdida no sul de Minas, ela esta encravada nos píncaros da Mantiqueira. A linha férrea passa longe dela. E o comboio quando para na estação e a máquina toma alento para continuar a viagem, os homens saem na "garé", tomam um cafezinho, e dizem uns aos outros.
        A cidade fica lá do outro lado do morro. São três quilômetros de distância. O percurso é feito por autos e carros puxados a cavalo. Mas no tempo das águas, nem animais, nem tão pouco motores conseguem transpor o morro. Sempre falam de uma linha de bonde como solução. Passa porém, o verão, cessam as chuvas, os homens esquecem das promessas e dos cálculos.
        Chove torrencialmente nos últimos e primeiros meses do ano. O aguaceiro cai ininterrupto dias e dias. Foi, então ,que passei a duvidar da Bíblia no caso do dilúvio. Na minha terra é capaz de chover quarenta dias e quarenta noites sem precisar de uma arca. Naturalmente, é porque aquela gente é boa. E a cidade é uma arca que paira engastalhada no cume da montanha.
        Mas cessada a borrasca, surge esplendente o sol, espalhando seus raios por todos os cantos e em todas as direções. Ai a cidade sorri. As folhas carregadas do verde de clorofila, descansam a vista ,e as sombras, sob o copado enorme das árvores, convidam o viajante para o repouso.
        O riacho passa cantante, e o marulho das águas é um convite a petizada ao esporte da natação. Na ponte que atravessa o rio ficam os homens a conversar coisas banais. Nada os preocupa. Nem a política, nem as guerras, nem os crimes dos povos. Falam em pescaria, caçadas e outros passatempos. Um cavalo que passa a trote, balança a ponte e sobe a ladeira fazendo ruído na calçada. A ferradura tira faísca das pedras. Todos olham o transeunte, e par tempo acompanham-no com a vista. O farmacêutico deixa o grupo e vai atender a um chamada. Um menino chegou cansado, peito arfando, e lhe trouxe um recado do pai. Todos perguntam pela irmã. Querem saber quantos dias está doente. O que sofre. Qual o motivo. Em pouco tempo algumas velhas estão oferecendo para passar a noite com a menina, a receitar chás, aconselhar raízes e outras drogas caseiras. Médico, nunca. Chamar médico é o mesmo que chamar o padre. Só na última hora. Enquanto houver esperança, a paciente vai ingerindo as drogas caseiras.
        Nos Domingos, o sino da igreja bimbalha chamando os fiéis para a missa das onze.
        "A neblina enche o vale, cobre os telhados, apaga as árvores."
        Homens passam montados em modorrentos ginetes, enquanto vêm, pouco atrás, as mulheres apressadas, com receio de chegar atrasadas. O vigário aparece no adro, espraia a vista pelos circunstantes e aguarda a chegada do Juiz de direito da Comarca. A autoridade é católico e o padre é seu amigo particular. A missa inicia às onze e meia. Terminada a cerimônia, o povo desce a ladeira e as moças vão passear em volta do jardim. Passa pelos rapazes que olham de soslaio, como que desconfiados. As pessoas de maior destaque do lugar entram para o hotel que tem uma casa de negócio ao lado, e vão tomar cerveja. Ai falam de política. É a elite da terra.
        À noite, não tem luz. Arrebentou o correião da usina. A cidade ficou as escuras.
        Quase disse o nome da minha terra. Mas não, é como o da namorada que a gente gosta. Conta o milagre.... topo


NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS POUSOS ALTOS

Manoel Noronha

De súbito, dentro da noite
Os vemos descem galopando
(os contrafortes da Mantiqueira
e varrem as ruas quietas e centenárias
da velha Nossa Senhora da Conceição
dos Pousos Altos)
cuido ouvir o rude vozerio
dos homens de Piratininga
rompendo os pântanos e matagais,
triturando o solo bravia, subjugando as distâncias
no ano da graça de mil seiscentos
e setenta e quatro...
Ouço seus imperiosos brados
o pateado e o resfolegar das alimárias,
o tropel dos tacões de couro cru no solo arenoso
o tilintar dos sabres, facões e bacamartes...
Amanhã eles partirão em demanda
das serras de Itacambira,
em busca de suas pedras sobrenaturais...
Muitos ficarão perdidos no verde silêncio
das selvas fascinantes das Minas Gerais...
Contudo, deixarão atrás de
além de suas lembranças,
de seus feitos e temeridades,
velhas cidades, como esta de Conceição dos Pousos altos
que jamais perderão o seu ar de fatalismo continental,
sua majestosa serenidade,
sua fisionomia austera
e sobretudo, o orgulho de sua origem,
tecida de puro e misteriosa brasilidade! topo


MINHA TERRA

Marina da Conceição Oliveira

        Gosto do teu riacho murmurante, do verde maravilhoso de tuas folhagens, do gorjeios dos pássaros nas manhãs ensolaradas, do teu pôr do sol indefinível, do teu luar diferente de todos, por ser o mais belo...
        Vejo beleza em tua estrada asfaltada, em tuas ruas empoeiradas, na singelera de
tuas praças...
        O contraste entre tuas belas casas e teus humildes casebres não me fere! Há, em todos, hospitalidade, o que os tornam iguais: floridos, risonhos e acolhedores...
        Admiro teu centro social, que serve e serve bem, amenizando o sofrer dos menos favorecidos pela sorte; teu Grupo Escolar animado pela algazarra de teus moleques, teus estudantes em busca de novos horizontes...
        Lembra-me o poder de Deus o teu Santo Cruzeiro, levantado para o alto, de onde nos vem a Fé!
        Dá-me par tua igreja, onde noivas sonhadoras buscam bênçãos imperiais, onde o teu povo se reúne dominicalmente, onde as lindas vozes de teu coral entoam cânticos ao Senhor!
        Sinto a cada dia que progredirás, através de teus filhos, de todos eles, simples, mas destemidos, que entrelaçam as mãos esquecidos de paixões, ódios e violências, desejosos de ver-te, subindo para perpetuar-se...
        Amo-te, doce cidadezinha, espalhada à beira da estrada. Amo-te, terra querida, e
quero, contemplar-te ainda por muitos e muitos ... topo


TERRA CENTENÁRIA

Paulo Lúcio

O tempo na sua passagem
Não desfigurou a paisagem
da minha querida cidade
as mesmas montanhas de outrora,
com suas matas verdejantes,
o mesmo céu estrelado
com seu fascinante luar
ainda emolduram agora, o cenário deste lugar.
Mas o tempo que fez história,
nos cem anos já vividos
perpetua na sua memória
vultos nunca esquecidos
de filhos de nossa terra,
que perpassam na lembrança,
desde os tempos de criança,
corno exemplo de uma raça
simples, forte e sem jaça.
Podem demolir seus casarões
podem desaparecer seus varões,
podem transformar sua aparência
neste mundo de demolição,
mas restará sua eternidade em
cada nova geração
no silêncio de sua paisagem,
Na tristeza de suas montanhas,
na beleza de suas noites de luar
que o próprio tempo há de respeito

(Ao meu querido POUSO ALTO, no seu centenário) topo


ESCONDIDA NAS TERRAS ALTAS

Luiz Alexandre

Subi morro, desci morro ...
E pra chegar onde cheguei
Por entre árvores e cascatas
Pelas Terras Altas caminhei.

Entre paisagens encantadoras,
Encontrei na Mantiqueira,
Com águas claras e ar puro
Uma cidade altaneira

Cidade de muitas histórias
Desde os tempos dos bandeirantes
Cidade que deixa saudades
Por ser tão aconchegante.

É uma cidade acolhedora
Que guarda suas tradições:
Carnaval, folia de Reis
Semana Santa e procissões

Os casarões centenários
A praça sempre florida,
Embelezam esta terra
E a torna tão querida.

Existem pontos turísticos
Muitos ainda inexplorados.
Que aguardam aventureiros
Para serem admirados.

Fica no alto da colina
A casa da Mãe Maria.
Onde devotos fervorosos
Rezam preces, todo dia.

Se algum dia, eu sentir
O frio deste mundo ingrato
Eu sei, que voltarei correndo,
Para os teus braços, POUSO ALTO!

Terra que tanto amo ... 
Terra que tanto ... topo


POUSO ALTO

Antônio Claret Vilela

Ah! Pouso Alto,

Quem te fez

Tão pequena no tamanho

mas tão grande na saudade!

Quando, bissexto, hoje aí retorno,

passeio, menino novamente,

pelo sobe-e-desce íngreme

das escadarias do final

da Ladeira do Jaguar.

Que falta eu sinto

do adro, de soltar papagaio,
do rio de pescar tubarana,

da praça de cima,

da praça de baixo,

da rua da cadeia

- com nome de escritor -

e do Santo Cruzeiro,

que mudou de lugar,

para dar lugar ao progresso.

Da velha matriz:

Paredes azuis, repletas de estrelas,
o meu céu particular!

Pouso Alto,

Leia nas entrelinhas,

destas saudosas linhas,

as palavras de amor

que teus filhos distantes

pensam te dizer.

Queria te ver de novo,

para sentir o teu povo,

tão amigo,
tão meu povo.

Para ser parte novamente

desta vida sobranceira

de gente sul-mineira.

Hoje, no teu dia, Pouso Alto,

quando os sinos tocarem

e a alvorada espocar,

serão tuas, e somente tuas,

todas as minhas homenagens! topo

 


POUSO ALTO

       Joana Mira

 

Hoje sou bandeirante,

à procura de preciosidades.

No ponto alto da colina,

posso ver a Igreja do Rosário,

que só conheço através de relatos

e a construo com um bocado de imaginação.

O lago reflete, ainda que triste e morto,

o seu olhar sobre as casas.

O prédio escolar tão antigo,

não o recordo.

Não são do meu tempo,

mas estão penetrados em meu

mundo, configurando

todos os espaços!

O soar do sino,

tão lamurioso,

é o prenuncio da Semana Santa.

Procissão, beatas, teatro.

Meu Deus! Os desenhos,

pó de café, cerragem, flores,

e minhas mãos pequenas,

contornando um mundo

misterioso cheio de luz e sombras.

Os mesmos olhos de fascínio

e esperança vêem uma multidão de pés,

modificando as figuras.

Assim sinto a vida,

sonhos que como a pele do rosto

caem com o tempo.
Mas, Pouso Alto, terra natal,
dorme seu sono.
Não a acordemos,
Silêncio! topo



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