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BIOGRAFIA DE RIBEIRO COUTO

Nasceu em Santos, São Paulo, em 12 de março de 1898, filho de José de Almeida Couto e de Nísia da Conceição Esteves Ribeiro, portuguesa da ilha da Madeira.

Aos quatorze anos de idade, começou a trabalhar como guarda-livros em uma firma exportadora de café, cujos donos o matricularam na Escola de Comércio José Bonifácio, em Santos. Data desse mesmo período a sua estréia na imprensa local.

Em 1915, mudou-se para São Paulo. Matriculou-se na Faculdade de Direito, foi revisor do Jornal do Commercio e colaborador do Correio Paulistano.

Em 1918, obtém o primeiro lugar em concurso literário promovido pela revista A Cigarra. Transfere-se para o Rio de Janeiro.

Terminou os estudos jurídicos na Faculdade de Direito do Distrito Federal. Trabalha como repórter na Gazeta de Notícias e começa a freqüentar os meios intelectuais. Conhece Alberto de Oliveira, Olavo Bilac, Coelho Neto. Aproxima-se de Álvaro Moreira, Ronald de Carvalho e Raul de Leoni.

Em 1920, convive com Manuel Bandeira, seu vizinho, na Rua do Curvelo em Santa Teresa, de quem se tornou amigo íntimo até o fim da vida.

O seu primeiro livro de poemas, O Jardim das Confidências, escrito entre 1915 e 1919, é publicado em 1921. No ano seguinte, apesar de não ter participado da Semana de Arte Moderna, mantém intenso contato com os modernistas, e publica dois volumes de contos: A Casa do Gato Cinzento e O Crime do Estudante Batista.

Por motivo de saúde, mudou-se, ainda em 1922, para Campos de Jordão onde residiu até 1924.

Exerceu, nos quatro anos seguintes, os cargos de delegado de polícia e promotor público em várias cidades serranas de Minas e São Paulo: São Bento de Sapucaí (SP), Cunha (SP), São José do Barreiro (SP) e Pouso Alto (MG).

Nesse mesmo período, publicou Poemetos de Ternura e de Melancolia (1924), A Cidade do Vício e da Graça (1924) e Baianinha e Outras Mulheres (1927), livro de contos premiado pela Academia Brasileira de Letras.

No início de 1925, o poeta casou-se com Ana Jacinta Pereira, que conhecera em São Bento de Sapucaí — provavelmente em 1923 — e a quem chamava de "Menina".

Designado, em julho de 1929, para o posto de auxiliar de consulado em Marselha, aí residiu até 1931, onde também exerceu o cargo de vice-cônsul honorário.

Em 1931, foi transferido para Paris, onde serviu como adido junto ao consulado geral. Por designação do Ministro Afrânio de Melo Franco, pai de seu amigo Afonso Arinos, foi nomeado Cônsul de 3ª Classe, ingressando formalmente na carreira diplomática. Data dessa época o romance Cabocla (1931).

Por razões de serviço, regressou ao Rio de Janeiro em 1932. Entre 1932 e 1935, trabalhou no Itamarati, no Jornal do Brasil e publicou intensamente: Espírito de São Paulo, ensaio (1932); Clube das Esposas Enganadas, contos (1933); Noroeste e Outros Poemas do Brasil, poesia (1933); Província, poesia (1934); Presença de Santa Terezinha, ensaio (1934).

Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 24 de março de 1934, na sucessão de Constâncio Alves (cadeira nº 26) e tomou posse em 17 de novembro de 1934, sendo recebido por Laudelino Freire. Reeditou o conjunto da sua obra poética sob o título de Poesia (1934).

Nesse mesmo ano é promovido a 2º Secretário na carreira diplomática, sendo lotado em Haia, Holanda. Durante o períoodo holandês, publicou o livro de crônicas Conversa Inocente (1935), o livro de viagem Chão de França (1934) e o livro de poemas Cancioneiro de Dom Afonso (1939). Em 1940, regressou ao Rio de Janeiro em conseqüência da ocupação alemã da Holanda. Logo ao chegar, publicou Prima Belinha, romance (1940) e Largo da Matriz, contos (1940). No ano seguinte foi promovido a 1º Secretário de Embaixada.

Em 1943, foi indicado para a Embaixada em Lisboa, onde viveu até 1946. Publicou um livro de poemas, Cancioneiro do Ausente (1943), uma coleção de contos, Uma Noite de Chuva e Outros Contos (1944), e uma antologia poética, Dia é Longo (1944). Participou da assinatura do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro. Separou-se de D. Ana Pereira, mas continuaram muito amigos, tendo mantido correspondência semanal pelo resto da vida. Terminado o período lisboeta, seguiu para Genebra, onde foi cônsul-geral por um ano, sendo promovido a Ministro Plenipotenciário de 2ª classe.

Foi designado Ministro Plenipotenciário na Iugoslávia em 1947.

Elevado à categoria de embaixador em 1952, residiu em Belgrado até 1963, quando se aposentou aos 65 anos. Nesses onze anos, publicou nove livros: Entre o Mar e o Rio, poesias (1952); Barro do Município, crônicas (1956); Dois Retratos de Manuel Bandeira, ensaio (1960); Sentimento Lusitano, ensaio (1960); Histórias de Cidade Grande, contos (1960); Poemas Reunidos (1960); Longe, poesia (1961).

Publicou também dois livros de poemas em francês: Rive Étrangère (1951) e Le Jour est Long (1958). Este último recebeu, em Paris, o prêmio internacional de poesia Les Amitiés Françaises, outorgado anualmente a poetas estrangeiros. Muitos trabalhos de Ribeiro Couto foram traduzidos para o francês, espanhol, italiano, húngaro, sueco, servo-croata.

Nos últimos anos começou a perder a visão, e ao morrer estava quase cego.

Faleceu em Paris, França, a 30 de maio de 1963, aos 65 anos, vítima de um enfarte fulminante.


* Extraída de Ribeiro Couto: melhores poemas. Seleção de José Almino de Alencar. São Paulo: Global, 2002. (coletânea poemas).


BIBLIOGRAFIA

Do autor

1921 O Jardim das Confidências. São Paulo: Monteiro Lobato, 1921. (poesia)

       Os Nossos Papás. Peça em 3 atos, 1921 (teatro)

1922 A Casa do Gato Cinzento. São Paulo: Monteiro Lobato, 1922. (contos)

       O Crime do Estudante Batista. São Paulo: Monteiro Lobato, 1922. (contos)

1924 Cidade do Vício e da Graça: vagabundagem pelo Rio noturno. Rio de Janeiro: Benjamin Costallat & Miccolis, 1924. (crônica)

       Poemetos de Ternura e de Melancolia. São Paulo: Monteiro Lobato, 1924. (poesia)

1926 Um Homem na Multidão. Rio de Janeiro: Pongetti, 1926. (poesia)

1927 Baianinha e Outras Mulheres. Rio de Janeiro: Anuario do Brasil, 1927. (contos)

1928 Canções de Amor. São Paulo: Editora Nacional, 1928. (poesia)

1931 Cabocla. São Paulo: Editora Nacional, 1931. (romance)

       D. Esmeralda. São Paulo: Cruzeiro do Sul, 1931. [folheto] (conto)

1932 Espírito de São Paulo. Rio de Janeiro: Schmidt, 1932. (ensaio)

1933 Clube das Esposas Enganadas. Rio de Janeiro: Schmidt, 1933. (contos)

       Correspondências de Família. [plaquete fora do comércio com poema do autor e outro de Adolfo Casais Monteiro]

       Noroeste e Outros Poemas do Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1933. (poesia)

       Província. Coimbra: Edições Presença, 1933. (poema)

1934 Presença de Santa Teresinha. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1934. [ilust. Candido Portinari] (ensaio)
       
        Elogio de Constâncio Alves. Rio de Janeiro: [s.n], 1934. [Discurso de Posse na Academia Brasileira de Letras, 7/11/1934]

1935 Conversa Inocente. Rio de Janeiro: Schmidt, 1935. (crônicas)

       Chão de França. São Paulo: Nacional, 1935. (viagem)
 
1937 De menino doente a Rei de Pasárgada. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1937. [separata do texto publicado em Homenagem a Manuel Bandeira]

       Enfance. Traduit du portugais par Jean Duriau. Marseille: Les Cahiers du Sud, 1937. (contos)

1939 Cancioneiro de D. Afonso. Lisboa: Anuário-Oficinas Gráficas, 1939. (poesia)

       Nuit tropicale.traduit du portugais par Jean Duriau. Paris: Fernand Sorlot, 1939.

1940 Largo da Matriz e outras histórias. Rio de Janeiro: G. Costa, 1940. (contos)

       Prima Belinha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1940. (romance)

       Realidade e espírito do Brasil republicano. Lisboa: Império, 1940. (ensaio)

1943 Cancioneiro do ausente. São Paulo: Martins, 1943. 115 p. (poesia)

1944 Dia é longo. Lisboa: Portugália Editora, 1944. 383 p. (poesia)

      Uma Noite de Chuva e Outros Contos. Lisboa [Portugal]: Inquérito, 1944. (coletânea de contos)

       A mensagem do Lusíada Antônio Nobre. Lisboa: [s.n.], (Lisboa [Portugal]: Tip. Ramos, Afonso & Moita), 1944.

       Isaura. Lisboa: Inquérito, 1944. [publicada no Clube das Esposas Enganadas] (novela)

       O francês Taunay, mestre de brasilidade. Lisboa: [s.n.], 1944. [Separata de: Revista de Cultura Afinidades, n. 5.] (ensaio)

1949 Mal du pays. Paris: La Presse a Bras, 1949. (poesia)

       Arc en ciel. Paris: La Presse a Bras, 1949. (poesia)

1951 Rive etrangère. Paris: Press du Livre Français, 1951. (poesia)

       Dikter. i oversattning av Per G. Ekstrom och Arne Lundgren. Goteborg [Suecia]: Gumperts Forlag, 1951.

1952 Entre mar e rio. Lisboa: Livros do Brasil, 1952. (poesia)

       Duigi dan [Dia longo] Zagreb: Zora, 1952. (poesia)

1955 Jeux de l'apprenti animalier: dessins de l'auteur. Paris: Seghers, 1955. (poesia)

1956 Barro do Município. São Paulo: Anhembi, 1956. (crônicas)

1957 Kabokla [Cabocla]. Zagreb: [s.n.], 1957. (romance)

1958 Le jour est long: choix de poèmes traduits par l'auteur. Paris: Pierre Seghers, 1958. (poesia) [tradução de Dia longo]

1959 Salut au drapeau de Pierre-Louis Flouquet. Bruxelles: Maison du Poete, 1959. (poesia)

1960 Dois retratos de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1960. [reedição de De menino doente a Rei da Pasárgada e Discurso para receber Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras]

       Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. 446 p. (poesia)

1961 Longe. Lisboa: Livros do Brasil, 1961. (poesia)

       Longe. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1961. (poesia)

       Sentimento Lusitano. São Paulo: Martins, 1961. (ensaio)

1963 Laggiú. traduzione de Giuliana Centazzo. Roma: Associazione internazionale di poesia, 1963. (Quaderni dell' Associazione internazionale di poesia; 10) [Tradução de Longe] (poesia)

1985 Poemas. Seleção Vasco Mariz. Peru: Tierra Brasileña, 1985. (poesia)

1987 Kanconijero odsutnoga (Cancioneiro do ausente). Belgrado [Iugoslávia]: Embaixada do Brasil, 1987. (Edições Gröngula; 14) (poesia)

1999 Adeuses. Org. Afonso Arinos, filho. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1999. (poesia)

2001 Maricota, Bahianinha e outras mulheres. Org. Vasco Mariz. Rio de Janeiro: Topbooks: Academia Brasileira de Letras, 2001. (coletânea de contos).

2002 Ribeiro Couto: melhores contos. Seleção de Alberto Venancio Filho. São Paulo: Global, 2002. 244 p. (coletânea contos).

       Ribeiro Couto: melhores poemas. Seleção de José Almino. São Paulo: Global, 2002. (coletânea poemas).

2004 Três retratos de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: ABL, 2004. 83 p.


Traduções
Quando éramos dois, de Hunguette Garnier, 1932.

Guia do Tuberculoso e do Predisposto, tratado de tuberculose pulmonar, pelo dr. Jacques Stephani, 1933.

A conversão de Eva Lavallière, de Per Skansen, 1934.


Sobre o autor
AITA, Giovanna. Due poeti brasiliani contemporanei: Manuel Bandeira - Ribeiro Couto, Napoli: Libreria Scientifica, 1953. 96 p.

AMADO, Gilberto. Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, 1964. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1972.

ARINOS FILHO, Afonso. Ribeiro Couto e Afonso Arinos; Adeuses/Ribeiro Couto. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1999. 276 p. il. Coleção Afrânio Peixoto. 042.

BANDEIRA, Manuel, 1886-1968. Discurso de posse de Manuel Bandeira e resposta de Ribeiro Couto. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1941. 61 p.

BEZERRA, Elvia. A trinca do Curvelo: Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Nise da Silveira. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.

LIMA, Nestor dos Santos. Ribeiro Couto. 1998.

MARIZ, Vasco. A poesia de Ribeiro Couto. Convivência. Rio de Janeiro: PEN Clube do Brasil, ano 10, n. 9, 1992.

_____. Rui Ribeiro Couto no seu centenário. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1998.

TEIXEIRA, Milton. Ribeiro Couto: 30 anos de saudade. Santos, SP: UNICEB, 1994.

MARTINS, José de Pina. Ribeiro Couto, poeta brasiliano, la sua poesia portuguesa. 1954.

MONTEIRO, Adolfo Casais. A poesia de Ribeiro Couto. 1935.

MELO, Marcus Rouanet de. Ribeiro Couto. Brasília: Universidade de Brasília, 1990. Tese de mestrado.

RAMOS, Carolina. Ribeiro Couto: vida e obra. São Paulo: Ed. Graf. São Paulo, 1989.

SOUZA, Cláudio Garcia de. Ribeiro Couto. Ed. bilingüe em português e sérvio-croata. Belgrado, Iugoslávia: Embaixada do Brasil, 1987.

TEIXEIRA, Milton. Ribeiro Couto, ainda ausente. Santos: Universidade Santa Cecília dos Bandeirantes, 1982.

VIANA FILHO, Luis et alii. Elogio do Dr. Rui Ribeiro Couto. Saudações de Luís Viana Filho, Francisco da Gama Caeiro e Mário Júlio de Almeida Costa. Lisboa: Academia Portuguesa da História, 1982. 47 p.



TEXTOS

Sobre o autor

- ALENCAR, José Almino de. Manuel Bandeira & Ribeiro Couto: correspondência dos anos 20;
      Fui poeta menor, perdoai!;
      Conversas de vida inteira de Ribeiro Couto e Bandeira. Jornal do Brasil/Idéias, Rio de Janeiro: 31.05.2003.

- ANDRADE, Rodrigo M.F. de. Um poeta novo;
      A prosa do senhor Ribeiro Couto.

- BEZERRA, Elvia. Os amigos de Ribeiro Couto. Jornal do Brasil/Idéias, Rio de Janeiro: 31.05.2003;
      Dois escritores afastados como homens e poetas;
      Som e fúria na Correspondência Mário de Andrade & Ribeiro Couto.

- CASTRO, Moacyr Werneck de. Rio de ontem e de hoje. Jornal da Tarde/Estadão, 11.08.98.

- FREYRE, Gilberto. O Romântico Ribeiro Couto. Jornal do Commercio. Recife: 10 fev. 1963. Coluna: Pessoas, Coisas e Animais.

- HÉLIO, Mário. A correspondência de Ribeiro Couto e Manuel Bandeira. JC Cultural, Recife: 04.09.00.
      De poetas menores e de Ribeiro Couto. Diário de Pernambuco, 5.11.2002.

- LINS, Vera. Ribeiro Couto, uma questão de olhar (PDF).
      Ribeiro Couto: paisagem e delicadeza. Revista Metamorfoses n.º 1 da Cátedra Jorge de Sena para Estudos Literários Luso-Afro-Brasileiros/UFRJ e Edições Cosmos, 2000.
      Os dias chuvosos e ensolarados da poesia do melancólico Ribeiro Couto. O Globo/Prosa & Verso, Rio de Janeiro: 11.01.2003.

Do autor
Carta de Ribeiro Couto para Candido Portinari.
Costureirinha.


LINKS
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Sérgio Buarque de Hollanda, 100 anos: vida



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